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Aventuras em Angola – PARTE 2

setembro 15, 2011

Oi, gente!

Hoje vou continuar a série de posts sobre Angola com um descarado CTRL+C CTRL+V de um texto meu já publicado aqui. Não seria mais fácil colar o link? Não, pois o link é protegido por senha e está bloqueado.

Durante minha estada em Angola fui, digamos assim, censurada, e precisei proteger não apenas quem me deu a carta-convite para entrar no país, mas também a mim mesma. Pois é, a barra lá é pesada e verdades nem sempre (leia-se nunca) podem ser ditas. Agora que já passou mais de um ano, eu já fiz meu trabalho e quem me ajudou está seguro, não me importo de escrever minhas reais impressões.

Só as palavras já dão uma boa ideia de como é o lugar, mas nada como um vídeo para concretizar…

(…) Depois de chegar na casa da Eliane, dar uma respirada e tomar um banho, saímos para dar uma volta. Luanda é mais caótica do que eu pensava e aquela história de “a Angola não é tão pobre assim” é coisa de gente que não conhece lugares como a Praça do Catinton e a Praia da Mabunda, no Bairro Camuxiba.

O Catinton é umas das coisas mais impressionantes que eu já conheci. A Medina de Fes, no Marrocos, é um exemplo de organização quando comparada a ele. Pois é, imaginem… A “feira” (acho que pode ser chamada assim) é um aglomerado de gente, barracas e guarda-sois, onde se encontra de tudo, se vende de tudo e se vê tudo. Tudo.

Antes de chegarmos, a Eliane me perguntou “Você tem estômago forte?”, eu respondi que sim. Engano meu. Para começar, o cheiro do lugar é simplesmente indescritível. Tem cheiro de tudo e não tem cheiro de nada. Acho que o odor mais próximo disso que eu já senti foi quando visitei o lixão de Blumenau. De longe, o que mais me impressionou no Catinton foi o “açougue”. Era uma barraca de madeira e lona, com a carne exposta em cima de uns tablados. Tinha vários tipos: frango, carneiro, vaca, boi… E mosca! Muita, mas muita mosca. Não, as carnes não são cobertas por plásticos ou qualquer outra proteção.

Mas é óbvio que o impressionante não é isso. Não? Não! O impressionante é ver os vendedores MATANDO e TIRANDO A PELE dos bichos. Ali, na tua frente. Na barraca mesmo fica um monte de bezerros presos e uma infinidade de galinhas. Aí tu chega ali: “vê esse pra daqui uma hora” (se o que você quiser já não estiver pronto ali em cima da bancada). Lá vai o cara ou a mulher com um machado e PÁ!!!!! Vi quando estavam matando um bezerro: primeiro cortaram a cabeça fora (sangue, sangue, sangue e mais sangue), depois as patas, uma por uma. E em seguida começa a retirada da pele e dos ossos. Até aí nem sei quantos litros de sangue já foram jorrados. E eu que achava que assistir a uma tourada fosse o caminho para o vegetarianismo… HA-HA-HA. Quando a gente acha que já viu de tudo nessa vida sempre tem algo que comprova o contrário. Enfim, o procedimento é esse, e assim é com o frango e outros animais também. Tudo acontece embaixo de um sol escaldante e no CHÃO. Chão do Catinton = areia e lixo, muito lixo.

Quem estava nos guiando lá (porque um estrangeiro não pode nem PENSAR em andar num lugar desses sem um nativo junto) era o motorista da Eliane, o Jojo. Angolano, jovem, refugiado de guerra no Congo e em seguida prisioneiro em Angola, Jojo é um exemplo de quem sabe aproveitar as oportunidades que a vida dá. Hoje tem uma vida tranquila (leia-se “sem ter que fugir para não ser fuzilado”), tem emprego (ser motorista da Schlumberger é um ótimo emprego por aqui) e esboça um sorriso de quem tem a vida perfeita. Quando estávamos no “açougue” do Catinton eu comentei com a Eliane “Gente, que nojo, imagina o tanto de doenças que eles podem pegar comendo isso. Não é à toa que a expectativa de vida daqui é 45 anos…”. Eliane disparou “Ah, mas será que alguém realmente compra carne aqui?” e o Jojo timidamente comentou “Eu e todos os meus conhecidos…”. (…)

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Aventuras em Angola – Parte 1

setembro 7, 2011

E aí, pessoal?!

Muitos de vocês sabem que fui para Angola ano passado fazer meu TCC, né? Pois então, revirando meu HD externo, desenterrei vários videozinhos que fiz por lá e resolvi compartilhar com vocês. A maioria deles são curtinhos (dois a três minutos) e, quando é mais longo, eu aviso em que minuto e segundo ele começa a ficar interessante.

Inicio a saga Aventuras em Angola com dois vídeos:

Um que explica o que é meu trabalho e a situação do terceiro país mais minado do mundo (tentem abstrair a minha – péssima – narração, please)…

… E outro que mostras as primeiras imagens de quando cheguei lá, logo após me buscarem no aeroporto de Luanda.

Documentários MUITO legais

setembro 2, 2011

Hey, people!

Quem diria, já estou de volta aqui no blog. Hoje é jogo rápido, quero apenas indicar para vocês alguns filmes muito bacanas que vi ultimamente. Sei que muita gente não curte documentários, acha monótono e coisa e tal, MÃS, sei também que essas pessoas não gostam justamente porque nunca assistiram a um que preste (ou a algum com formato diferente do off/depoimento/off/depoimento/off/ZzZzZzzzzzz….)

Sendo assim, segue uma listinha com filmes imperdíveis (eu disse IMPERDÍVEIS!):

Night Mail (1936) – um filme de John Grierson (a.k.a. O CARA) que narra o funcionamento dos correios na Inglaterra. O documentário tem 25 minutos e mostra todo o caminho que uma carta percorre, desde a postagem até a entrega.

33 (2001) – Kiko Goifman utiliza a linguagem noir para mostrar sua busca pela mãe biológica. O nome do filme se refere a três fatos relativos a esta procura: Kiko decidiu encontrar a mãe aos 33 anos de idade, sua mãe adotiva nasceu em 1933 e a busca durou exatos 33 dias.

À Margem da Imagem (2002) – Este documentário tem duas versões; optem pela curta, de 15 minutos (a longa é bacana, mas um pouco maçante para quem não está acostumado a assistir a filmes do gênero). Só digo uma coisa sobre o filme: Evaldo Mocarzel conseguiu um dos finais mais incríveis do cinema brasileiro.

Santiago (2007) – João Moreira Salles esmiúça em frente as câmeras a vida do homem que foi mordomo de sua família por décadas a fio. O documentário é um recorte de uma obra inacabada e uma verdadeira aula de cinema.

Oma (2011) – Um curta de Michael Wahrmann (que resume a história em “Ela fala alemão, eu falo espanhol. Ela não escuta, eu não entendo.”). Melhor exemplo ever de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Abaixo, um documentário genial sobre as prostitutas idosas da Praça da Luz. Dica do meu querido Marcelo Cidral:

Por hoje é só, espero que gostem! :)