Archive for abril \20\UTC 2008

Era uma vez uma tourada

abril 20, 2008

Cortando um pouco minha aventura africana, quero contar o que aconteceu hoje…

A última semana em Sevilla foi simplesmente o caos meteorológico. Dias lindos de sol com pancadas violentas de chuva (e um vento fdp da porra que carregou tudo pela cidade) que ninguém entendia mais e nem sabia com que roupa sair…

Pois bem, este domingo queriamos ver uma tourada (só pra não dizer que eu saí da Espanha sem ver uma, já que eu acho a coisa mais estúpida e idiota que tem pra se fazer com um touro e uma pessoa) depois da feijoada de almoço da reunião das Nações Unidas aqui em casa (Franceses, Mexicanos, Porto riquenhos, Italianos, Brasileiros e Espanholes).

Eram 18h05 quando mandei as visitas embora (bela anfitriã) porque ligamos para a Plaza de Toros e nos informaram que ia ter a tourada e que a chuva que tinha dado antes não tinha interferido na arena. Pois bem, saímos, compramos ingresso, entramos na arena, sentamos na arquibancada por uns 10 minutos quando passou uns carinhas com umas plaquinhas dizendo que a tourada tinha sido adiada. JODER!

O mais legal foi ver todo mundo jogando as almofadinhas que se aluga no meio da arena, só pro pessoal ter que juntar tudo depois hehehehe espanhóis se revoltando são engraçados… Amanhã pelo menos podemos pegar o dinheiro de volta na taquilla. E domingo que vem se nos apetece (e se não chove) vamos tentar ver uma outra vez. A pena foi para os pais da Cristina (minha flatmate italiana) que ficam aqui até terça e não vão ter a oportunidade de ver uma tourada espanhola. Pero bueno, shit happens!

 

AH,  respondendo a pergunta do Joel no último post. SIM, TODO MUNDO NO MARROCOS SE CHAMA MOHAMMED hehehe é suuuuuuuper comum, mais que José e João da Silva ;O

Amanhã continuo com a aventura africana

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O dia em que eu pisei na África (2)

abril 11, 2008

O tour pela cidade de Tanger me deixou simplesmente boquiaberta. Uma voltinha de aproximadamente 40 minutos no nosso ônibus foram suficientes para me deixar com vontade de voltar àquela cidade um dia. Ao passar pelo centro, moderno e bonito, já me deparo com o que não estou acostumada a ver: muitos homens pelas ruas e poucas mulheres. Além disso, todas (sem exceção) com o lenço na cabeça e muitas delas com o rosto também tampado. Ao passar pelo consulado espanhol, duas filas gigantes de pessoas esperando atendimento para tentar conseguir o visto para a Espanha, isso pra mim já é algo familiar. Portadora de passaporte brasileiro, sempre enfrentei longas filas à espera de conseguir um visto para um país desenvolvido.

Subindo até zona rica da cidade, que está numa parte super alta, tive uma das vistas mais bonitas que já apreciei. O céu azul e limpo e o sol radiante também ajudaram, mas aquele marzão de água azul profundo é bonito até em dia de chuva (pude comprovar na volta). Mas não foi a beleza natural que mais me impressionou nessa parte da cidade, foram as construções. Nosso guia local, Mohammed, sabia exatamente de quem era cada palácio e cada vez que ele falava eu ficava simplesmente de cara. Eu não tenho palavras para descrever o tamanho daquelas construções; só para vocês terem uma idéia, um dos palácios (esse era de um dos todo poderosos da Arábia Saudita) tinha um estacionamento com espaço para 50 (sim, CINQÜENTA) limousines (não sei como se escreve…). Vocês tem noção do que é isso? E era só o estacionamento… Os outros palácios eram em sua maioria dos árabes poderosos do petróleo, mas também tinha o palácio do Rei de não sei onde, do Príncipe de não sei o que (que às vezes passam anos sem pisar no local). Até o atual Rei da Espanha, Don Juan Carlos, morou alí no bairrinho pobre durante 13 anos. Os palácios desse bairro me deixaram mais impressionadas do que as mansões do canal de Miami que visitei uma vez de barco (onde está a casa do Silvio Santos, da Xuxa, do Al Capone…). Não só pela sintuosidade, exagero e tamanho, mas principalmente porque eu não imaginava que havia gente TÃO rica na África…

Saindo de Tanger fomos para Volubilis, cidade romana onde as ruinas são um espetáculo. Os mosaicos ainda intactos e as colunas das ordens coríntians, dóricas e jônicas são simplesmente demais. Apesar do calor, as duas horas de caminhada em meio as ruinas valeram muito a pena! Na verdade o que mais me divertiu foi o guia desse passeio. Um carinha muito engraçado que falava itañol, portuñol e spanglish, morri de rir com ele!

Saindo de Volubilis fomos diretamente a Mekness, onde tivemos uma vista panorâmica da cidade e depois visitamos os mercadillos, uma mezquita (tirar os sapatos pra entrar pra rezar é uma coisa que eu nunca iria me acostumar eu acho…) e o centro. Mais uma vez, os bares cheios de homens sentado na porta bebendo seus cafés e nenhum, NENHUMA, mulher com eles. Já a mesquita estava cheia delas. As que estavam na rua, como já havia visto em Tanger, estavam super cobertas, mas dessa vez ainda vi algumas jovens que se vestiam ao estilo ocidental…

Saindo de Mekness fomos para o hotel em Azrou que fica no meio Atlas. Chegando ali, banho, janta, cama.

(CONTINUA…)

O dia em que eu pisei na África

abril 9, 2008

Depois que comecei a estudar Jornalismo e virar amante dos documentários sobre países pobres e dos filmes no estilo “Tiros em Ruanda”, “Diamante de Sangue”, “A Cor Púrpura” e afins, me tornei também uma aficionada pela África. África em seu sentido mais amplo: continente, cultura, comida, guerras, pobreza, religião, economia, pessoas, enfim, tudo!

Quando soube que viria a Espanha não pensei duas vezes em planejar ao menos uma viagem ao continente mais pobre do mundo.  Sevilla está quase alí, apenas 3 horas de ônibus do estreito de Gibraltar que nos leva diretamente ao solo africano através do Ferry. Navegando pela Inernet e vendo alguns cartazes pendurados pelas paredes da universidade descobri vários pacotes interessantes de agências que fazem viagens a África. Por questões financeiras (apesar de não ter sido suuuuuuuper barato), geográficas e pessoais (sim, eu assisti O Clone) escolhi ir para o Marrocos. Quatro noites e cinco dias (que por motivos de força maior se estenderam para cinco noites e seis dias). O roteiro incluia vários lugares interessantes como Tanger, Fez, Volubillis, Meknes e, o principal motivo por eu ter ido, o deserto do Saara.

Peguei o ônibus às 5h30min en Sevilla para chegar a Tarifa e tomar o Ferry as 9h (ou 10h, agora mão me lembro…). Chegando no porto, passamos pela imigração, deixamos a mala no térreo do Ferry Fast e logo partimos a caminho do porto de Tanger. Céu azul, vento primaveral, sol radiante, pouco vento no estreito e o um dos mares mais azuis que eu já vi na vida. O dia estava simplesmente perfeito. Dentro do barco nossa única tarefa era “sellar” os passaportes com o carimbo de entrada ao Marrocos. Quarenta minutos depois de partir, chegamos a Tanger.

A saída foi um pouco caótica com um montão de gente de empurrando, pisoteando, gritando, brigando e etc. Mas nada que tirasse a minha empolgação de estar ali, sob o céu e sobre o solo que eu tanto desejei estar. Como fui com um grupo de pessoas, não me senti perdida e mal vista em nenhum momento, afinal não era só para mim que as pessoas dalí olhavam com cara esquisita.

Saída do Ferry, trocar Euros por Dyrham (a moeda local, que vale aproximadamente 11,24. Ou seja 1 euro = 11.24 Dyrhams. Por um momento me senti rica!), conhecer o guia local, Mohammed, que nos acompanhou por toda a viagem juntamente com o guia espanhol, pegar o ônibus e partir para a visita a Tanger.

Nesse dia começou minhas surpresas, e eu nunca pensei que pudesse ver tanta beleza em um país tão discriminado pelos espanhóis.

(CONTINUA…)