Aventuras em Angola – PARTE 2

Oi, gente!

Hoje vou continuar a série de posts sobre Angola com um descarado CTRL+C CTRL+V de um texto meu já publicado aqui. Não seria mais fácil colar o link? Não, pois o link é protegido por senha e está bloqueado.

Durante minha estada em Angola fui, digamos assim, censurada, e precisei proteger não apenas quem me deu a carta-convite para entrar no país, mas também a mim mesma. Pois é, a barra lá é pesada e verdades nem sempre (leia-se nunca) podem ser ditas. Agora que já passou mais de um ano, eu já fiz meu trabalho e quem me ajudou está seguro, não me importo de escrever minhas reais impressões.

Só as palavras já dão uma boa ideia de como é o lugar, mas nada como um vídeo para concretizar…

(…) Depois de chegar na casa da Eliane, dar uma respirada e tomar um banho, saímos para dar uma volta. Luanda é mais caótica do que eu pensava e aquela história de “a Angola não é tão pobre assim” é coisa de gente que não conhece lugares como a Praça do Catinton e a Praia da Mabunda, no Bairro Camuxiba.

O Catinton é umas das coisas mais impressionantes que eu já conheci. A Medina de Fes, no Marrocos, é um exemplo de organização quando comparada a ele. Pois é, imaginem… A “feira” (acho que pode ser chamada assim) é um aglomerado de gente, barracas e guarda-sois, onde se encontra de tudo, se vende de tudo e se vê tudo. Tudo.

Antes de chegarmos, a Eliane me perguntou “Você tem estômago forte?”, eu respondi que sim. Engano meu. Para começar, o cheiro do lugar é simplesmente indescritível. Tem cheiro de tudo e não tem cheiro de nada. Acho que o odor mais próximo disso que eu já senti foi quando visitei o lixão de Blumenau. De longe, o que mais me impressionou no Catinton foi o “açougue”. Era uma barraca de madeira e lona, com a carne exposta em cima de uns tablados. Tinha vários tipos: frango, carneiro, vaca, boi… E mosca! Muita, mas muita mosca. Não, as carnes não são cobertas por plásticos ou qualquer outra proteção.

Mas é óbvio que o impressionante não é isso. Não? Não! O impressionante é ver os vendedores MATANDO e TIRANDO A PELE dos bichos. Ali, na tua frente. Na barraca mesmo fica um monte de bezerros presos e uma infinidade de galinhas. Aí tu chega ali: “vê esse pra daqui uma hora” (se o que você quiser já não estiver pronto ali em cima da bancada). Lá vai o cara ou a mulher com um machado e PÁ!!!!! Vi quando estavam matando um bezerro: primeiro cortaram a cabeça fora (sangue, sangue, sangue e mais sangue), depois as patas, uma por uma. E em seguida começa a retirada da pele e dos ossos. Até aí nem sei quantos litros de sangue já foram jorrados. E eu que achava que assistir a uma tourada fosse o caminho para o vegetarianismo… HA-HA-HA. Quando a gente acha que já viu de tudo nessa vida sempre tem algo que comprova o contrário. Enfim, o procedimento é esse, e assim é com o frango e outros animais também. Tudo acontece embaixo de um sol escaldante e no CHÃO. Chão do Catinton = areia e lixo, muito lixo.

Quem estava nos guiando lá (porque um estrangeiro não pode nem PENSAR em andar num lugar desses sem um nativo junto) era o motorista da Eliane, o Jojo. Angolano, jovem, refugiado de guerra no Congo e em seguida prisioneiro em Angola, Jojo é um exemplo de quem sabe aproveitar as oportunidades que a vida dá. Hoje tem uma vida tranquila (leia-se “sem ter que fugir para não ser fuzilado”), tem emprego (ser motorista da Schlumberger é um ótimo emprego por aqui) e esboça um sorriso de quem tem a vida perfeita. Quando estávamos no “açougue” do Catinton eu comentei com a Eliane “Gente, que nojo, imagina o tanto de doenças que eles podem pegar comendo isso. Não é à toa que a expectativa de vida daqui é 45 anos…”. Eliane disparou “Ah, mas será que alguém realmente compra carne aqui?” e o Jojo timidamente comentou “Eu e todos os meus conhecidos…”. (…)

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Uma resposta para “Aventuras em Angola – PARTE 2”

  1. Gabriela Guimarães Disse:

    Caraca, Gabbbb…é trash mesmo e às vezes reclamamos de coisas tão menores perto desta!

    Bjuss,
    Gabi

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