E tão pouco tempo para escrever! Alguém, por favor, acrescenta umas horinhas no dia?
Tanta coisa para compartilhar…
agosto 30, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinRed Bull X-Fighters Madrid 2008
julho 23, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinPor favor, leiam o post no Pega no meu e se der tempo, comentem lá… (é que quero ganhar um pen-drive hehehehe)
http://peganomeu.wordpress.com/2008/07/23/red-bull-x-fighters-madrid-2008/
Juro que o post e os vídeos valem a pena!
Sem palavras para descrever o Guernica
julho 20, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinDesde que estudei sobre a Guerra Civil Espanhola no colégio, fiquei com a imagem no Guernica na cabeça e pensando se algum dia poderia vê-lo pessoalmente. Pois este dia foi ontem. Três das minhas últimas horas em Madrid foram dedicadas ao Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (poderia tranqüilamente ter sido mais horas, mas eu estava correndo contra o tempo) e foi lá que “dei de cara” com o gigante Guernica.
Sim, gigante. O quadro é, pelo menos, 10 ou 12 vezes maior do que eu imaginava (tem 7,77m X 3,49m) e ainda por cima transpassa um turbilhão de sensações enquanto se olha. Havia dois seguranças, um em cada lado do quadro, e o pessoal tem que apreciá-lo a uma certa distância (creio que uns 5 metros). Pessoalmente acho inútil colocar dois seguranças, duvido que alguém tente roubar uma tela desse tamanho hehe
É um quadro incrível, todos deveriam ter a oportunidade de vê-lo de pertinho um dia. Picasso é demais, já estive no Museu Picasso em Málaga (cidade onde ele nasceu) e me fascinava mais a cada sala que entrava. Cubismo é um dos meus estilos de arte favorito, mas o cubismo feito por Picasso é ainda mais especial. É impressionante como o cara consegue transmitir tantos sentimentos através de formas geométricas, que na minha cabeça são tão frias e sem emoção.
Aproveitando, deixo o link de uma artista estadounidense que representou graficamente o Guernica em 3-D. É demais! Além disso, ajuda a entender melhor cada desenho para aqueles que só conseguem enxergar “rabiscos” na tela:
http://www.lena-gieseke.com/guernica/movie.html
Logo, logo mais novidades de Madrid!
A cidade das Artes e das Ciências
julho 14, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinQuem vem para a Espanha não pode deixar de conhecer Valencia. Nao só pela famosa gastronomia (nunca comi tanta paella na vida), mas pela união de antiguidade e modernidade que se encontra na cidade (olha, rimou!). A parte do centro histórico me lembrou muito Sevilla, mesmo estilinho: pracinhas, fontes, barzinhos com as mesinhas todas fora, torres, muralhas, igrejas gigantes, muita construção de pedra, etc. Já a parte moderna, JESUISDOCÉUQUEQUEÉISSO!? Simplesmente maravilhosa! É por esse motivo que essa parte da cidade é chamada de “Cidade das Artes e das Ciências”. São quatro construções animalmente animais que necessitam de pelo menos 3 dias para serem conhecidas totalmente. A primeira delas é o “Palau de las Arts” (Palácio das Artes) que tem formato de um olho humano (pensa num prédio com essa forma, cara!), a segunda é o “L’hemisfèric” (onde tem um IMAX dentro =D), a terceira é o “Museo de las Ciencias Príncipe Felipe” e a quarta é o “L’Oceanogràfic” (uma espécie de Sea World).
Sei que os nomes parecem hora espanhol, hora portugês, hora francês, hora inglês, hora italiano: isso se chama catalão. Em Valencia (além de Barcelona) também utilizam muito o idioma. Os valencianos têm um sotaque agradabilíssimo, os sons dos C e dos S são super engraçadinhos… Além disso, ô povo gentil e educado, MEU DEUS! Não sei se é porque vivi em Sevilla tanto tempo (os andaluzes em geral são uns grossos da porra) ou se porque o povo ali é realmente mais educado que o normal. Em Valencia é cheeeeeeeeeeeeeeeeio de italianos (mais um motivo para passar um tempinho da cidade hehehehe). Muitos deles vieram me pedir informação na rua, eu lá tenho cara de espanhola por acaso?
Valencia também é a cidade onde mais tem pontes sem rio embaixo que eu já vi na vida! Todas as pontes que ligam as duas partes da cidade estão sobre campinhos de futebol e parques (que estão sempre cheios de gente passando tempo). Valencia não está no meu TOP 10 de melhores cidades do mundo (estive em pouco mais de 80), mas com certeza vale a pena visitar!
Viva em Barcelona!
julho 11, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinPela primeira vez na vida consegui fazer o log-in de primeira pra entrar aqui no blog. Minha atividade na blogosfera é tão parada que eu sempre tenho que fazer no mínimo duas tentativas até acertar a senha… O que me inspirou a escrever aqui hoje foi ninguém mais ninguém menos que a Marina. Sim, parei pra ler pelo menos os últimos 30 posts que ela escreveu, o que definitivamente, me inspirou. Como não tenho 1/37 avos do talento dela para escrever sobre mim mesma, minha vida, minhas crises, minhas contradições, vou escrever sobre o que cabe a mim: viagens. Ler os textos dela simplesmente me deram vontade de escrever. Talvez também porque eu esteja me remoendo de vontade de escrever para alguém, mas tô sem coragem. Entao vamos soltar palavras por aqui… Obrigada, Ma.
Começando, eu quero dizer que todo mundo tem que morar em Barcelona por algum tempo. Visitar não basta. A terra dos grandes Gaudi e Mirò é a uma das cidades mais impressionantes que já visitei. As ruas lotadas de gente 24h por dia, as construções impressionantes, a Vila Olímpica, o Parc Güell, o Estádio do Barça (o maior da Europa), o Montjuic, o Porto e claro, a Sagrada Família. Essa merece atenção especial.
Quando me deparei com ela não consegui fechar a boca por pelo uns 3 minutos, fiquei meio sem fala também. A parte construída por Gaudi ainda está intacta, e a parte que está sendo construída nem preciso dizer que é nova, dãr. O final da construção contará com 18 torres, 12 representando os apóstolos, 3 representando a Santíssima Trindade e 3 representando a própria Sagrada Família. Por enquanto a Igreja conta com 8 torres e Gaudi levou 40 anos construindo a parte dele. Com essas informações dá pra imaginar que ainda falta muuuuuuuito pra ficar pronta… A construção atual é feita com doações anônimas, com o dinheiro da entrada que se paga pra ver a igreja por dentro e com uma parte do dinheiro público, quando “sobra” pra isso.
Quando eu vejo coisas desse tipo entro em crise (ultimamente tô percebendo que tudo me faz entrar em conflito comigo mesma): acho um absurdo gastar tanto dinheiro com uma construção enquanto morre tanta gente de fome no mundo ou admiro um governo que além de manter a qualidade de vida do seu povo ainda tem dinheiro pra investir num troço desse? Vaya tela! Como diriam os espanhóis…
Voltando a Barcelona, as praias são incríveis, as pessoas são incríveis, o catalão é incrível e o sotaque deles falando espanhol é a coisa mais fofa desse mundo! Imagine São Paulo, com 10 vezes menos gente, com construções 10 vezes mais bonitas, com praias 10 vezes melhores e com gente de 10 nacionalidades diferentes em cada esquina. É simplesmente O MÁXIMO! Uma cidade cosmopolita, que não dorme, que tem absolutamente tudo que se pode querer numa cidade e que ainda tá ali pertinho da França, pra quando você quiser dar uma voltinha em Lyon ou em Paris…
Recomendo o passeio com o ônibus turístico que tem 3 rotas (uma pelo norte, uma pelo sul e uma pelo leste da cidade) com mais ou menos 22 paradas em cada rota (você pode subir e bajar do bus quando quiser). Além de conhecer a cidade toda, ainda te dão um monte de descontos para as atrações da cidade e pra uma penca de restaurantes. Recomendadíssimo!
Agora fico por aqui, são 1h38min e amanhã cedo me vou de compras!!!
Balanço 2007/2008
julho 10, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinDia 24 de julho completam exatos 10 meses que estou na Espanha e, neste mesmo dia, embarco de volta para minha pátria amada. Nos meses de maio e junho eu praticamente morri para o mundo extra-universitário, meus dias se resumiam em comer, estudar, fazer trabalhos, comer mais, estudar mais e fazer mais trabalhos. Dormir? Quando dava eu tirava um cochilo da 1h às 7h… Foram sem dúvida nenhum os dois meses mais estressantes de todo a minha vida. O dia em que terminei o último exame semestral (pra quem não sabe aqui todos os exames são semestrais, não existe provinha no meio do cuatrimestre) foi o segundo dia mais feliz do mês, não podia acreditar que toda aquela saga de estudos tinha acabado.
Desde este dia estou de férias, aproveitando o verão (os 44º C de Sevilla), meus amigos, a Espanha, as praias, a Internet, meu notebook novo, as festas, os shoppings e tudo o que eu não pude aproveitar em maio e junho. Agora que estou a ponto de voltar para casa parei para fazer o balanço deste ano set 2007/julho 2008… Sem dúvida nenhuma um dos anos mais bem aproveitados e desgastantes que eu já tive na vida. Fora 14 matérias na faculdade (na verdade 13, mas como uma era anual conta como 2), curso de espanhol, aulas de italiano, viagens, festas, trabalhos para a Revista Café Babel (sim, ainda trabalhei no tempo “livre”), trabalhos também para o Monitor de janeiro a julho, amigos novos, reuniões, assembléias, congressos, jantas, tutorias com professores, MEU DEUS!
Confesso que no final de junho eu pensei em algumas coisas que poderiam acontecer comigo: ou ia ficar louca (é sério), ou eu ia ficar doente, ou ia desistir de alguma prova ou eu ia reprovar pelo menos nas 3 últimas (o que seria uma verdadeira m*** porque eu não teria a possibilidade de fazê-las outra vez). Depois de passar por tudo isso e agora estar aqui aproveitando minhas mini-férias, acordando as 11h da manhã, indo no cinema duas vezes por semana, viajando por aí, indo pra praia, realizando meus passatempos prediletos eu penso (pela segunda vez na vida): Eu tenho orgulho de mim!
Não só por ter passado em 12 matérias (uma eu só vou saber a nota em setembro e essa eu corro risco de reprovar), por ter tirado a 4ª nota mais alta da sala da matéria mais foda com as professoras mais bruxas da universidade (minha sala tem mais de 45 alunos nessa matéria, só pra constar), por ter trabalhado numa revista européia escrevendo artigos em inglês e espanhol, por ter aprendido espanhol perfeitamente, por ter dado um grande passo com o italiano e agora só falta aprender a escrever certo e conjugar direito os tempos passados, por ter trabalhado para o Monitor e ter feito algumas matérias realmente boas reconhecidas por muita gente… estas são coisas que com esforço, empenho e dedicação qualquer um pode conseguir, é só querer.
O que mais me deixa orgulhosa é saber que saio daqui com grandes e verdadeiros amigos, grandes contatos profissionais, grandes oportunidades para o futuro, grandes conhecimentos e grandes lições. Além disso, cada vez que visito um país diferente me orgulho mais ainda de ser brasileira, apesar de tudo. Nosso país e nosso idioma nos abrem portas que muitas vezes não nos damos conta ou não damos o valor apropriado… Enfim, posso dizer que eu me sinto muito feliz de voltar com tamanha bagagem. Depois de muitas coisas que eu vi por aqui, me orgulhei ainda mais por ter sabido aproveitar a oportunidade que a universidade me proporcionou (e que eu batalhei pra conseguir, claro), por ter valorizado meu dinheiro gasto (que não foi pouco) e por ter concluído um ano de uma maneira surpreendente.
Agora é hora de voltar para casa e correr atrás dos estresses do próximo semestre!
(Mas confesso que o fato de estar na minha universidade, falando meu idioma, com os professores que eu conheço e com o sistema que estou acostumada, vai me fazer olhar pra tudo isso com oooooooutros olhos…)
Agora sim, uma tourada.
maio 8, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinEm primeiro lugar quero pedir desculpas aos (persistentes) leitores do meu blog. Sei que ele não tem um ritmo, uma periodicidade e é que um saco ficar entrando pra ver se tem algo novo (e quase nunca ter hehe), mas é que eu realmente não consigo manter esta coisa funcionando bem. Além da falta de tempo (principal fator) eu meio que enjôo de ficar descrevendo sempre as coisas que acontecem comigo. (tá, então pra que eu tenho um blog?)
Bom, esse evento merece descrição (e com detalhes). Tarde de vinte e sete de abril de dois mil e oito, o dia em que eu vi 6 touros (novillos) serem mortos diante dos meus olhos. Por quem? Ninguém mais ninguém menos que estes tão corajosos, viris e machões espanhóis denominados toureiros (ou novilleros, no caso). No começo era tudo lindo, pura adrenalina. O touro entrando na arena, o carinha esperando ele de joelhos parecendo que ia levar uma chifrada na cara, o povo todo na expectativa… Logo ele entra, os toureiros (sim, no começo tem uns seis carinhas que ficam ali enchendo o saco do touro) e dão um show de habilidade, concentração e coragem. Ficam só ali com os capotes dando olé no touro. Até aí, o espetáculo é muito bonito.
Entra o picador, um homem em cima de um cavalo vendado (claro, imagina o cavalo sem a venda) e enfia uma lança no pescoço do touro (pela parte de cima), o touro se enfurece começa a andar de lá pra cá que nem um louco, querendo chifrar tudo que vê pela frente. O sangue começa a jorrar. Entram os picadores sem cavalos (que têm nome especial, mas agora mesmo me esqueci) e cada um deles (são 3) metem 4 lanças cada um nas costas do touro (vai um de cada vez, cada um mete 2 por vez). Essas são umas lanças menores que ficam presas no touro rasgando a pele deles e picando em cada movimento que eles fazem. Jorra mais sangue e começa a escorrer. O contraste do vermelho com o pelo preto do touro é algo que faltam palavras pra descrever.
Saem todos os toureiros “ajudantes”, picadores e etc e fica só uma pessoa, o toureiro “master” (nome inventado por mim, não existe ok?). Esse dia eram 3 novilleros e esse primeiro, Agustín de Espartinas, estava se despedindo como novillero para ser toureiro de verdade. Ele é um dos espanhóis mais lindos que eu já vi na minha vida, tem um sorriso encantador e tem 22 anos… ok, voltemos para a tourada. Ficou ali toreando com o animal já machucado, irritado, louco e agitado e no fim matou o bicho ali. Cada um tem aproximadamente meia hora para matar o touro, assim que o espetáculo foi das 18h30 às 21h30, pois eram 6 animais pra serem mortos.
Bem, em suma é esse o ritual. O detalhe é que ele acontece 6 vezes, cada vez revezando os toureiros. Cada um mata 2 touros na tarde. Este mesmo guapísimo Agustín nesse dia ganhou a orelha do touro (sim eles cortam a orelha do touro ali na tua frente, jorra mais sangue e ainda fica escorrendo tudo pela arena e o toureiro desfila com a orelha do touro pela arena) porque ele toureou super bem, daí o pessoal todo que tá na arquibancada começa a chacoalhar um lenço branco (eu era a unica que nao tinha um) para dizer que ele merece a orelha. Vendo isso, o presidente da tourada, ou da comissão de toureiros, sei lá, também chacoalha um lenço pra dizer que o cara merece a orelha. Se ele não chacoalhar, nada de orelhinha. (Quando é com touros e não com novillos, se corta o rabo).
Tinha um tio atrás de mim que era simplesmente aficcionado por tourdas e não calava a boca um minuto. Passados uns 45 minutos eu fui obrigada a pedir explicações pra ele sobre todo o “evento”. Quando eu chamei a muleta (o pano vermelho do toureiro) de “pañuelo” ele quase se matou de rir da minha cara, mas tudo bem. Ele ficou todo empolgado de me explicar a tourada e a cada meia hora perguntava se eu tava gostando. Eu, muit sincera, dizia “na verdade eu to odiando”. Ele não entendeu porque e disse que já ta acostumado a ver aquilo desde criança, que é um espetáculo lindo e uma prova de virilidade dos meninos. Eu disse que eu não gostava que matassem os bichos assim e ele me disse “você não come frango? Eles também morrem” e eu “Sim, mas não sofrendo na frente de todo mundo, eles têm o pescoço quebrado e deu” e ele “Em compensação, eles passam a vida toda ali no galinheiro presos com centenas de outros bichos. Você não idéia de como é criado um touro desses, tem mais regalias que uma criança rica. Passa 5 anos da vida comendo do melhor, ficando no melhor lugar, fazendo exercícios, sendo melhor tratado que muita gente por aí” e eu “Sim e só porque eles vivem bem significa que eles têm que morrer assim, sofrendo?” e ele “Pois é, guapa, são coisas culturais. Se for pensar nos bichos então ninguém mais come nada de origem animal…”
Essa frase ficou martelando na minha casa durante muito, muito tempo. Na verdade continua. Estou um dilema que nunca pensei que estaria. Ou eu aprecio o espetáculo e continuo comendo frango e peixe (porque já não como nenhum outro tipo de carne) ou digo que tudo isso é um absurdo, que touradas são ridículas e viro vegetariana. E agora, José? Que que eu faço? Eu não posso dizer que eu acho um absurdo matar os touros e comer carne (ainda que seja de frango ou peixe). Tampouco posso achar lindo que os matem desse jeito e deixar de comer peixe. Definitivamente, não sei o que pensar a respeito. No último domingo me peguei em frente a TV vendo uma tourada (que estava acontecendo na Real de la Maestranza, a exatos 4 minutos a pé da minha casa, dava para ouvir as cornetas daqui). Estava ali na expectativa de ver um touro chifrar um toureiro, arrastá-lo pela arena, chifrar suas partes íntimas ou qualquer coisa do tipo. Mas depois pensei, será que era isso mesmo que eu queria ver ou estava ali, já tomada pelo espírito de ver o combate entre o homem e o animal sem torcer para nenhum, simplismente esperando o resultado? Fiquei um pouco assustada comigo mesma. E fiquei na frente da TV das 18h30 às 21h30.
Realmente essa coisa me balançou. Ainda me lembro quando o 5º touro já não podia mais andar e ficou parado na arena gritando e chorando e todo o público xingando que aquele touro era de má qualidade. Ele ali, sofrendo, imagino eu que sentindo dores horríveis, chorando, parado e o toureiro ali tentando tourear (porque se ele não consegue fazer o touro se mexer fica feio pra ele também…). Nessa hora eu não aguentei, o touro gritava como um porco quando morre (sabe aquele barulho de tortura?) e meus olhos começaram a lacrimejar (é assim que se escreve?). A descrição da minha cara nesse momento devia ser uma coisa muito divertida porque misturava pavor, pena, medo, angústia e dor. Não deu pra me conter…
E mesmo assim no outro final de semana ali estava eu vendo a mesma coisa no CanalSur (tudo bem um dos toureiros desse dia também era suuuuper guapo, mas não foi por isso que eu liguei a TV).
Não sei. Não sei. Realmente não sei. Admiro um toureiro pelo seu talento e habilidade e continuo a comer frango e peixe ou repudio totalmente essa prática e viro vegetariana? As duas coisas ao mesmo tempo não posso fazer. Só quem viu ao vivo sabe do que to falando
Podem acessar os vídeos no http://br.youtube.com/user/gabiaforlin
Era uma vez uma tourada
abril 20, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinCortando um pouco minha aventura africana, quero contar o que aconteceu hoje…
A última semana em Sevilla foi simplesmente o caos meteorológico. Dias lindos de sol com pancadas violentas de chuva (e um vento fdp da porra que carregou tudo pela cidade) que ninguém entendia mais e nem sabia com que roupa sair…
Pois bem, este domingo queriamos ver uma tourada (só pra não dizer que eu saí da Espanha sem ver uma, já que eu acho a coisa mais estúpida e idiota que tem pra se fazer com um touro e uma pessoa) depois da feijoada de almoço da reunião das Nações Unidas aqui em casa (Franceses, Mexicanos, Porto riquenhos, Italianos, Brasileiros e Espanholes).
Eram 18h05 quando mandei as visitas embora (bela anfitriã) porque ligamos para a Plaza de Toros e nos informaram que ia ter a tourada e que a chuva que tinha dado antes não tinha interferido na arena. Pois bem, saímos, compramos ingresso, entramos na arena, sentamos na arquibancada por uns 10 minutos quando passou uns carinhas com umas plaquinhas dizendo que a tourada tinha sido adiada. JODER!
O mais legal foi ver todo mundo jogando as almofadinhas que se aluga no meio da arena, só pro pessoal ter que juntar tudo depois hehehehe espanhóis se revoltando são engraçados… Amanhã pelo menos podemos pegar o dinheiro de volta na taquilla. E domingo que vem se nos apetece (e se não chove) vamos tentar ver uma outra vez. A pena foi para os pais da Cristina (minha flatmate italiana) que ficam aqui até terça e não vão ter a oportunidade de ver uma tourada espanhola. Pero bueno, shit happens!
AH, respondendo a pergunta do Joel no último post. SIM, TODO MUNDO NO MARROCOS SE CHAMA MOHAMMED hehehe é suuuuuuuper comum, mais que José e João da Silva ;O
Amanhã continuo com a aventura africana
O dia em que eu pisei na África (2)
abril 11, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinO tour pela cidade de Tanger me deixou simplesmente boquiaberta. Uma voltinha de aproximadamente 40 minutos no nosso ônibus foram suficientes para me deixar com vontade de voltar àquela cidade um dia. Ao passar pelo centro, moderno e bonito, já me deparo com o que não estou acostumada a ver: muitos homens pelas ruas e poucas mulheres. Além disso, todas (sem exceção) com o lenço na cabeça e muitas delas com o rosto também tampado. Ao passar pelo consulado espanhol, duas filas gigantes de pessoas esperando atendimento para tentar conseguir o visto para a Espanha, isso pra mim já é algo familiar. Portadora de passaporte brasileiro, sempre enfrentei longas filas à espera de conseguir um visto para um país desenvolvido.
Subindo até zona rica da cidade, que está numa parte super alta, tive uma das vistas mais bonitas que já apreciei. O céu azul e limpo e o sol radiante também ajudaram, mas aquele marzão de água azul profundo é bonito até em dia de chuva (pude comprovar na volta). Mas não foi a beleza natural que mais me impressionou nessa parte da cidade, foram as construções. Nosso guia local, Mohammed, sabia exatamente de quem era cada palácio e cada vez que ele falava eu ficava simplesmente de cara. Eu não tenho palavras para descrever o tamanho daquelas construções; só para vocês terem uma idéia, um dos palácios (esse era de um dos todo poderosos da Arábia Saudita) tinha um estacionamento com espaço para 50 (sim, CINQÜENTA) limousines (não sei como se escreve…). Vocês tem noção do que é isso? E era só o estacionamento… Os outros palácios eram em sua maioria dos árabes poderosos do petróleo, mas também tinha o palácio do Rei de não sei onde, do Príncipe de não sei o que (que às vezes passam anos sem pisar no local). Até o atual Rei da Espanha, Don Juan Carlos, morou alí no bairrinho pobre durante 13 anos. Os palácios desse bairro me deixaram mais impressionadas do que as mansões do canal de Miami que visitei uma vez de barco (onde está a casa do Silvio Santos, da Xuxa, do Al Capone…). Não só pela sintuosidade, exagero e tamanho, mas principalmente porque eu não imaginava que havia gente TÃO rica na África…
Saindo de Tanger fomos para Volubilis, cidade romana onde as ruinas são um espetáculo. Os mosaicos ainda intactos e as colunas das ordens coríntians, dóricas e jônicas são simplesmente demais. Apesar do calor, as duas horas de caminhada em meio as ruinas valeram muito a pena! Na verdade o que mais me divertiu foi o guia desse passeio. Um carinha muito engraçado que falava itañol, portuñol e spanglish, morri de rir com ele!
Saindo de Volubilis fomos diretamente a Mekness, onde tivemos uma vista panorâmica da cidade e depois visitamos os mercadillos, uma mezquita (tirar os sapatos pra entrar pra rezar é uma coisa que eu nunca iria me acostumar eu acho…) e o centro. Mais uma vez, os bares cheios de homens sentado na porta bebendo seus cafés e nenhum, NENHUMA, mulher com eles. Já a mesquita estava cheia delas. As que estavam na rua, como já havia visto em Tanger, estavam super cobertas, mas dessa vez ainda vi algumas jovens que se vestiam ao estilo ocidental…
Saindo de Mekness fomos para o hotel em Azrou que fica no meio Atlas. Chegando ali, banho, janta, cama.
(CONTINUA…)
O dia em que eu pisei na África
abril 9, 2008 por Gabriela Azevedo ForlinDepois que comecei a estudar Jornalismo e virar amante dos documentários sobre países pobres e dos filmes no estilo “Tiros em Ruanda”, “Diamante de Sangue”, “A Cor Púrpura” e afins, me tornei também uma aficionada pela África. África em seu sentido mais amplo: continente, cultura, comida, guerras, pobreza, religião, economia, pessoas, enfim, tudo!
Quando soube que viria a Espanha não pensei duas vezes em planejar ao menos uma viagem ao continente mais pobre do mundo. Sevilla está quase alí, apenas 3 horas de ônibus do estreito de Gibraltar que nos leva diretamente ao solo africano através do Ferry. Navegando pela Inernet e vendo alguns cartazes pendurados pelas paredes da universidade descobri vários pacotes interessantes de agências que fazem viagens a África. Por questões financeiras (apesar de não ter sido suuuuuuuper barato), geográficas e pessoais (sim, eu assisti O Clone) escolhi ir para o Marrocos. Quatro noites e cinco dias (que por motivos de força maior se estenderam para cinco noites e seis dias). O roteiro incluia vários lugares interessantes como Tanger, Fez, Volubillis, Meknes e, o principal motivo por eu ter ido, o deserto do Saara.
Peguei o ônibus às 5h30min en Sevilla para chegar a Tarifa e tomar o Ferry as 9h (ou 10h, agora mão me lembro…). Chegando no porto, passamos pela imigração, deixamos a mala no térreo do Ferry Fast e logo partimos a caminho do porto de Tanger. Céu azul, vento primaveral, sol radiante, pouco vento no estreito e o um dos mares mais azuis que eu já vi na vida. O dia estava simplesmente perfeito. Dentro do barco nossa única tarefa era “sellar” os passaportes com o carimbo de entrada ao Marrocos. Quarenta minutos depois de partir, chegamos a Tanger.
A saída foi um pouco caótica com um montão de gente de empurrando, pisoteando, gritando, brigando e etc. Mas nada que tirasse a minha empolgação de estar ali, sob o céu e sobre o solo que eu tanto desejei estar. Como fui com um grupo de pessoas, não me senti perdida e mal vista em nenhum momento, afinal não era só para mim que as pessoas dalí olhavam com cara esquisita.
Saída do Ferry, trocar Euros por Dyrham (a moeda local, que vale aproximadamente 11,24. Ou seja 1 euro = 11.24 Dyrhams. Por um momento me senti rica!), conhecer o guia local, Mohammed, que nos acompanhou por toda a viagem juntamente com o guia espanhol, pegar o ônibus e partir para a visita a Tanger.
Nesse dia começou minhas surpresas, e eu nunca pensei que pudesse ver tanta beleza em um país tão discriminado pelos espanhóis.
(CONTINUA…)


